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TCO - Mitos e Realidade
Recentemente, a Microsoft contratou do IDC um estudo comparativo do TCO (custo
total de propriedade) de servidores Windows 2000 versus servidores
Linux.
A conclusão do estudo (surpresa, surpresa!) é que
o Windows 2000 é de 10 a 11% mais barato que o Linux, ao
longo de 5 anos. Comprando pelo valor de face, parece que a
conclusão é definitiva, e várias
revistas especializadas publicaram artigos com títulos na
linha "Windows é mais barato que Linux".
Lendo cuidadosamente o estudo, vemos que os resultados foram
conseguidos para cenários bastante genéricos e
simples, e o relatório desfila uma longa lista de
"disclaimers". Foram estudados cinco cenários, tendo
inclusive um onde o Linux saiu como vencedor, com 6% de vantagem!
O estudo mostra que, de todos os custos relacionados ao TCO de
servidores, o maior deles (60% do total) é o custo com
pessoal: administradores de sistema Linux são mais caros do
que os MCSEs (profissionais certificados pela Microsoft), e portanto o
TCO de servidores Linux seria maior. Mas...
Em outra frente, o RFG (Robert Frances
Group) publicou uma outra pesquisa comparando o Linux a
Windows e Solaris (da
Sun
Microsystems), e chegou à conclusão
oposta: apesar do salário individual de administradores
Linux ser maior na média, eles seriam capazes de gerenciar,
em média, 44 servidores cada, ao passo que administradores
Windows não seriam capazes de administrar mais do que uma
média 7 servidores cada. Neste estudo, o Linux ganhou com
folga.
A revista online ZDNet Tech Update publicou o artigo "Linux TCO
edge: Lower labor costs" que analisa este resultado. Neste
artigo, Al Gillen, diretor de pesquisas do grupo IDC (o mesmo do estudo
da MS) afirma: "Descobrimos que um administrador Linux, que sabe o que
está fazendo, deve ser capaz de administrar de duas a
três vezes mais servidores do que um administrador Windows"
[a tradução é minha].
E então? Em quem acreditar? Em quem confiar?
A resposta não é simples. Qualquer reposta
"definitiva" sobre TCO em geral esconde um dogmatismo ou é
"papo de vendedor": parte-se da conclusão, e
depois se buscam os fatos que a corrobore.
A verdade é que TCO pode, sim, facilitar análises
e decisões, mas cada caso é um caso. Sem o
contexto que envolve a utilização dos servidores
na Empresa, fica muito difícil tirar conclusões
em cima de estudos deste tipo. Além do mais, nada substitui
o talento: a experiência dos profissionais de TI para saber
onde estão escondidos os verdadeiros custos.
Mas, agora, vamos descer do muro!
A principal razão para a capacidade de administradores Linux
conseguirem gerenciar mais máquinas está ligado
à grande facilidade de gerenciamento remoto, que
é nativa no Linux.
Além disto, a possibilidade de se administrar o sistema
direto na linha de comando e a característica aberta dos
softwares disponíveis no Linux acaba formando melhores
administradores ao longo do tempo. Nada impede que o sistema seja
administrado através de interfaces point-and-click, que hoje
são completas e fáceis de usar no Linux, mas na
medida que os administradores vão ganhando
experiência e confiança, é natural que
eles se envolvam mais no que acontece dentro do sistema.
Temos visto que, nas Universidades e faculdades, a disponibilidade de
ambientes Linux tem crescido, e também a curiosidade dos
alunos em conhecer o que acontece neste sistema. Em sistemas de
Software Livre, este conhecimento também flui livremente.
Este fato, ligado ao crescimento do Linux nas grandes
corporações tende a gerar oportunidades de
mercado, e mais profissionais qualificados para estas oportunidades.
Um ponto que podemos salientar no estudo do IDC é que os
cenários de utilização dos servidores
estudados são de baixa complexidade, sem
interações entre servidores, sem bancos de dados,
clusters, etc. Deste modo, ficou fora do estudo as
características onde o sistema Linux realmente brilha:
confiabilidade, robustez, escalabilidade, facilidade de gerenciamento
remoto, melhor utilização da plataforma de
hardware, etc, etc.
Administrar as licenças custa dinheiro. Entender esquemas de
licenciamento, quantas licenças se tem que adquirir,
mudanças nas políticas de
licenciamento, risco de não se ter as licenças
corretas, tudo isto se acrescenta ao preço da
licença propriamente dito. Será que isto
está sendo computado? Além disto, existe um
overhead gerencial a cada vez que se precisa de um servidor novo: temos
licença para ele? Está dentro do
orçamento? Temos que pedir mais dinheiro para a Diretoria! A
flexibilidade que se tem quando se está livre de
políticas de licenças vale muito mais do que o
preço das licenças propriamente dito.
Outro ponto a considerar no TCO é o quanto se
está amarrado pelos "License Agreements", e o quanto se
está preso às políticas "upgrades" do
fornecedor de software, que em alguns casos forçam seus
clientes a "upgrades" mesmo quando eles estão plenamente
satisfeitos com o produto que usam. Este custo é
difícil de calcular a priori, por que em geral
não se sabe quais os valores dos "upgrades" futuros que se
têm que fazer.
Por fim, ao se adotar o Windows, se está fazendo uma
opção por uma plataforma proprietária,
e o custo de uma futura mudança de plataforma pode ser
proibitivo, colocando a Empresa na mão do fornecedor, uma
situação pouco confortável. Ao se
adotar uma plataforma aberta, mudanças de fornecedores
são mais fáceis, a Empresa tem mais controle
sobre suas aquisições de servidores.
Bom senso e canja de galinha não fazem mal a
ninguém. Preconceitos acabam tirando nossa capacidade de
pensar, analisar e decidir.
Links úteis
O estudo do IDC pode ser encontrado no site da Microsoft: http://www.microsoft.com/windows2000/docs/TCO.pdf
O estudo do RFG, "Total Cost of Ownership for Linux Web Servers in the Enterprise", pode ser encontrado no site da IBM: http://www.ibm.com/linux/RFG-LinuxTCO-vFINAL-Jul2002.pdf

