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A equação para conversas difíceis

Por: Vinicius Lima, julho 13, 2021

Conversas difíceis fazem parte do nosso cotidiano e estão presentes nos mais diversos contextos. Seja em uma negociação comercial, no alinhamento de expectativas em um relacionamento, na formação de uma visão de carreira ou até mesmo na decisão de quem deve lavar a louça após o jantar, elas existem e são necessárias!

Talvez você deva estar se perguntando sobre a relação entre essas conversas e a “equação” que consta no título deste post. Calma, já explico. 

Por um longo tempo as conversas difíceis me geraram a mesma sensação que sentia quando precisei aprender e aplicar equações de segundo grau no colégio: tensão, pavor e medo eram comuns.

Hoje está claro para mim que essas sensações apareciam porque eu encarava esse tipo de conversa como algo negativo. Sentia medo de ser julgado, de prejudicar relacionamentos, e não enxergava a possibilidade de, por mais complexa que fosse a situação, sair com uma solução extremamente positiva. 

Atualmente, há fácil acesso a vídeos, livros e debates sobre o assunto e essas informações úteis me ajudaram com o receio que sentia. Agora, com este texto, quero disseminar um pouco do que vi. Apresentarei um framework “quase matemático” com um apanhado de dicas sobre como conduzir conversas desse tipo de forma construtiva, clara, objetiva e em alto nível (no sentido da qualidade da conversa). 

Tudo foi testado em um ambiente altamente produtivo e, por que não dizer, complexo: meu casamento. Vamos à equação:

 

  • 1ª variável: Justiça (J).  

O senso de Justiça é a visão da oportunidade de resolver alguma situação e desenvolver positivamente algum aspecto. Trata-se de uma poderosa ferramenta de melhoria. É como ir a um restaurante e, ao ser servido, perceber que o prato está frio. Você pode “aceitar” e nunca mais voltar ao restaurante ou relatar o problema para que não volte a acontecer. Então, se existem motivos justos para esta conversa, se organize, pois ela realmente precisa acontecer. 

 

  • 2ª variável: Preparação (P).

 

Saber as motivações para a conversa e qual deve ser a postura ideal na situação ajudará a tangibilizar o que será dito. Neste momento não temos espaços para achismos: precisamos ter em mãos o máximo de informações possíveis para estruturarmos a conversa com clareza e precisão, relatando  o motivo; comportamento/situação que estamos tratando; as consequências e sentimentos gerados; e qual seria a postura esperada.

 

  • 3ª variável: Empatia (E)

 

Demonstre empatia já no primeiro momento da conversa. O objetivo é criar pontes, aproximação, se importar realmente com o problema que estamos tratando. Afinal, nosso maior objetivo é buscar uma solução em comum. 

 

  • 4ª variável: Separação (S).

 

Separe a pessoa do problema! Concentre-se no interesse, no motivador da conversa e deixe as emoções de lado. Tenha sempre em mente que estamos buscamos um ambiente propício para negociação, com ganhos mútuos.

 

  • 5ª variável: Atenção (A).

 

Esteja atento aos “movimentos” da conversa. Por mais bem preparado que você esteja, por melhor que sejam as informações que tenha conseguido coletar no momento da preparação, novos fatos podem surgir e novas informações podem ajudar a esclarecer aquilo que foi definido como “motivador” da conversa. É neste momento que, rapidamente, precisamos entender o quão efetivo será continuar o diálogo diante dos novos fatos. 

Parafraseando o Manifesto Ágil, “muito mais que seguir um plano pré-definido, a nossa medida de sucesso é absorver o máximo de informações possíveis para a melhor tomada de decisão”.

 

  • 6ª variável: Comunique (C).

 

Seja direto e efetivo na mensagem que quer passar e lembre-se de que o corpo fala.Cuidado para que seu físico reaja de forma condizente com o que você está verbalizando. Caso contrário, pode gerar descrédito. 

 

  • 7ª variável: Proposição (P).

 

Proponha uma primeira melhor abordagem para a resolução da questão que motivou a conversa. Neste ponto realmente colocamos à prova Transparência, Inspeção e Adaptação em situações de conversas difíceis. Se não houver mudança de rumo, provavelmente as mesmas situações poderão se repetir. Agora que já temos as informações, sabemos o que precisamos mudar e estamos em busca de sair com ações coerentes. 

 

Ciente de todas as variáveis, confira a seguir a equação. Mas atenção: não seja literal, a ideia é te ajudar a decorar os passos.

Formula conversas difíceis
  • O Fator Dificuldade (Fd) é:

 

A soma do senso de Justiça e Preparação prévia, multiplicado pela Empatia com o próximo, Separando a pessoa do problema que estão buscando resolver. 

 

Alie a Atenção sobre fatos que estão sendo expostos através de uma Comunicação eficiente e clara, na busca por Propor a melhor resolução para os conflitos.

Disse lá no início que o objetivo era apresentar um framework “quase matemático” com algumas dicas sobre como ter conversas difíceis.  Esse “quase matemático” é necessário, porque nem tudo são flores: somos seres humanos, existem variáveis incontroláveis e, por mais bem preparados que estejamos, diálogos complexos nem sempre acabam com um final feliz. 

Tenha sempre em mente que conversas difíceis são importantes. Se bem conduzidas, são, no mínimo, uma ferramenta de desenvolvimento individual.  

Invista tempo e se prepare! 

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