Metodologia

A diferença entre receber funções e missões e como isso impacta seu time

Por: Evellyn Almeida, janeiro 20, 2021

Como líderes de produto, continuamente demandamos do nosso time evoluções, novos desenvolvimentos e features para nossos produtos. Um fato interessante é que a maneira pela qual fazemos isto pode alterar drasticamente a forma como o time enxerga o produto, e o quanto ele se compromete com os seus propósitos. Nós podemos formar um time totalmente engajado com os objetivos de negócio de um produto ou empresa quando apresentamos demandas em forma de “missões” – em vez de apenas tarefas ou requisitos a serem implementados.

Trazer missões para o time os torna capazes de conceber as mais diversas soluções para cumpri-las. Isto dá a eles empoderamento! O time passa a sentir-se responsável pelo sucesso (e pelo fracasso) do produto. É impressionante o quanto um time direcionado a cumprir missões, na maioria das vezes, consegue pensar e implementar alternativas mais rápidas e viáveis do que as próprias alternativas pensadas inicialmente por stakeholders e proprietários do produto.

Para exemplificar, imagine o seguinte cenário: Você está liderando o desenvolvimento de um aplicativo de E-commerce, e um dos requisitos presentes em seu Backlog é a Integração com o método de pagamento Paypal, no passo do Checkout. E aqui, quero chamar sua atenção para um ponto: Integrações nunca deveriam ser apenas uma questão de documentação de APIs, serviços Rest ou Soap, parâmetros, tokens de autenticação, etc. É claro que estas informações são importantes, e seu time irá precisar delas para desenvolver qualquer integração, mas o ponto mais importante é que o time deve estar ciente do que está por trás de qualquer integração, ou seja, que objetivo de negócio esta integração ajuda a alcançar?

No exemplo aqui, a integração com o Paypal é uma hipótese – de que este meio de pagamento pode aumentar a taxa de conversão no checkout em 20% em relação aos números atuais. Então esta deveria ser a missão do time, e não a integração em si! Caso contrário, ao finalizar a integração eles teriam completado a tarefa e, deliberadamente, iriam seguir para o desenvolvimento do próximo item do Backlog.

Por outro lado, se o time estiver ciente deste aumento pretendido, depois de finalizar o desenvolvimento da integração, naturalmente eles irão desejar medir o desempenho dela. Eles irão se incomodar em verificar se a taxa de conversão aumentou, o quanto aumentou, quanto tempo levou, etc. E esta ação irá gerar novos insights no time, forçando-os a buscar outras alternativas, criar outras hipóteses e priorizar esforços até que a missão seja cumprida.

Esta abordagem ajudar a aumentar significativamente o senso de ownership dos membros do time. Eles se tornam, de fato, apaixonados pelo produto e querem que ele realmente dê certo!

Um time com este mindset entende que uma entrega tem sucesso se ela contribui para atingir um objetivo de negócio, mesmo que o escopo entregue seja totalmente diferente daquilo que foi planejado inicialmente. E o time ajuda a difundir este conceito para os outros envolvidos no produto, como diretores e stakeholders.

A missão de viabilizar objetivos de negócio não deveria ser de responsabilidade apenas do Gestor do Produto, mas sim, um desejo de todo o time que o desenvolve! E a melhor maneira de alcançar este nível de comprometimento é compartilhando missões de negócios com eles!

 

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