Desenvolvimento de Software

Hooked Model: e quando seu produto se torna hábito?

Por: Nicole Santos Mendes Fernandes, maio 26, 2021

"Seu Uber está a caminho". Você reconhece esta frase? Se possui um celular e já teve a necessidade de ir à algum lugar, certamente, uma viagem foi adicionada ao seu histórico.

Simples não é? Com poucos cliques solicitamos um carro para nos levar ao nosso destino, entrega de comida, compras online...E assim passamos os dias, cercados de notificações de apps favoritos enquanto executamos atividades cotidianas.

Por serem comportamentos feitos com pouco ou nenhum pensamento consciente, à eles damos o nome de hábito. Em outras palavras, ações nas quais não pensamos, apenas executamos.

Na prática, as empresas que formam hábitos associam seus serviços às rotinas e emoções diárias de seus usuários, representando uma participação ativa na vida das pessoas, de modo a promover um engajamento contínuo e, possivelmente, divulgação da marca por meio de usuários engajados. A fim de fomentar essa presença constante, temos os ganchos: responsáveis por conectar o problema à solução de uma empresa com frequência suficiente para formar um hábito.

Oi? Ganchos? Como eles funcionam em um produto digital?

Para que a mencionada conexão aconteça, o Modelo de Gancho prevê quatro fases: gatilho, ação, recompensa variável e investimento:

  1. Gatilho: fornece a base na qual uma mudança comportamental prolongada irá acontecer, de modo a fomentar a construção de hábitos. Em essência, é o start para uma ação; o incentivo para algo.

    Um gatilho pode ser externo (publicidade, notificações, etc) e é aquele que diz ao usuário o que fazer em seguida ou pode ser um gatilho interno, aquele que acontece automaticamente na mente de cada indivíduo.

    É pertinente ressaltar que em um produto formador de hábito "[...]os criadores precisam conectar o uso de sua solução a um gatilho interno frequentemente percebido e entender como aproveitar os gatilhos externos para impulsionar o usuário à ação."
  2. Ação: conforme mencionado, após o gatilho, o usuário é direcionado ao que deverá executar; é nesta etapa em que a solução indica o próximo passo, o comportamento esperado.

    Para que esta indicação seja possível, é necessário ressaltar a importância do UX Design, afinal fazer deve ser mais fácil do que pensar, portanto, há uma oportunidade em relação à usabilidade e engajamento do usuário.

    #QuickTip: uma forma de trabalhar nesta etapa é utilizar os atalhos cognitivos chamados de heurísticas a.k.a aqueles que seguimos para tomar decisões rápidas, incentivando ações, então a fim de analisar o seu produto digital por essa perspectiva, a leitura do artigo "How to improve your digital product with a heuristic review" é altamente recomendada 🙂
  3. Recompensa variável: etapa em que o usuário é premiado com a resolução de um problema, de modo que haja um reforço da motivação para a ação realizada na etapa anterior. Um exemplo de recompensa variável ocorre durante a interação com o Pinterest, ao acessar o painel de fotos, não há como prever quais imagens serão exibidas e ao rolar a página, mais fotos aparecem, o design da ferramenta contribui para aumentar e sanar a curiosidade do usuário, afinal, a cada scroll, novas inspirações. Outro exemplo mistura a recompensa fixa e a variável: gamificação de um sistema de apontamento de horas.

Recompensa fixa:

Ao cadastrar as atividades diariamente, o usuário recebe uma quantidade X de pontos

Ao cadastrar as atividades com um intervalo, o usuário recebe uma quantidade Y de pontos

Recompensa variável:

No final do mês, é realizado um sorteio com diferentes possibilidades de prêmios (vale livro, ingresso para cinema, ingresso para teatro, etc) com os colaboradores que ficaram em 1º, 2º ou 3º no ranking geral

Ok, mas precisa ser uma recompensa variável?

Sim, pois manter a mesma recompensa a longo termo poderá representar uma falta de atratividade e interesse, tornando a experiência entediante. Resgatando o exemplo da gamificação, ao manter apenas o sistema de pontuação pelo cadastro de atividades não garantia o apontamento de todos os colaboradores, ou seja, apenas os pontos e o ranking não geravam interesse no registro diário.

"Atraí o usuário, a ação foi executada e a recompensa concedida...E?"

  1. Investimento: depois de ganhar algo na etapa anterior, o usuário estará pronto para retribuir por meio de algum investimento no produto (dados, tempo, recomendação, avaliação, etc). É importante ressaltar que a etapa de investimento remete ao retorno que o usuário irá dar ao seu produto, quando o modelo de gancho é concluído.

Para formar um comportamento esperado, instigando um hábito, é necessário ter em mente, além do modelo, a zona do hábito, o momento no qual temos frequência e utilidade percebidos de forma satisfatória; atingindo esta zona, o comportamento desejado irá se tornar um hábito, portanto, ao desenvolver seu produto, lembre-se dos fatores que contribuem para isso.

E agora é com você: como pretender engajar seu usuário? Qual hábito quer formar? Identifica uma aplicação do Modelo de Gancho no seu produto digital?

 

Texto baseado no livro “HOOKED (ENGAJADO): Como construir produtos e serviços formadores de hábitos” de Nir Eyal com Ryan Hoover

 

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