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PIX: deve revolucionar pagamentos digitais no Brasil

Por: Dextra, agosto 5, 2020

Novo sistema do Banco Central simplifica pagamentos digitais e acelera transferências de valores entre pessoas e empresas, e deve revolucionar a forma como se paga por mercadorias e serviços. Novas oportunidades de negócios também surgirão

Todo brasileiro financeiramente ativo conhece o dilema: ir até o banco, pagar um boleto, e só ter a dívida de fato quitada dois ou três dias depois. O mesmo para TEDs e DOCs, inclusive feitos online, em que o recebedor só tem a transação confirmada quando o “dinheiro cai” – expressão que promete não fazer mais sentido em breve com o lançamento, pelo Banco Central do Brasil, do PIX.

Trata-se de um sistema de pagamentos e transferências instantâneas anunciado pelo BC em fevereiro, e que deve ser efetivamente lançado em novembro de 2020. Seu intuito é modernizar e baratear o custo das operações de pagamentos e transferências. 

A promessa é que TEDs, DOCs, boletos, cheques e até cartões de débito se tornem ainda mais obsoletos, ao permitir transações em tempo real e integral, ou seja, 24 horas por dia, sete dias por semana, inclusive fins de semana e feriados, a um custo baixo.

“O Banco Central fala em um tempo de processamento e pagamento de 10 segundos entre qualquer instituição financeira no sistema. O que tem se dito é que o PIX substitui o débito e o próprio dinheiro, porque faz todo sentido ter essa conciliação facilmente sem pagar taxas”, explica Luis Fernando Lima, head de pré-vendas e soluções digitais da Dextra. 

Atualmente os bancos repassam para os clientes as taxas cobradas pelo BC para transações como DOC e TED, às vezes por meio de pacotes de serviços cobrados mensalmente dos correntistas. O PIX, por outro lado, terá um preço muito baixo, ou centavos por transação.
“O PIX abre um leque de possibilidades para e-commerces e estabelecimentos físicos, que não precisam mais de maquininha”, explica Lima. “É possível gerar na hora um QR code para a compra ou ter um estabelecido para determinado produto. Simplifica demais.”

E como o PIX funcionará?

Na prática, o BC agirá como intermediário das transações feitas dentro da Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), ficando responsável pelo sistema core e pelo acesso das instituições – a saber, bancos e fintechs com mais de 500 mil contas ativas, que deverão se adequar para oferecer a modalidade até 3 de novembro, quando começa a funcionar oficialmente.

Alguns desses serviços já existem e estão em sistemas já operantes, mas ainda exigem adequações para a oferta. Até lá as empresas deverão se ajustar e poderão contribuir, o que deve ser feito por meio de um conjunto de APIs disponibilizado pelo BC no GitHub. Toda a documentação para acesso está lá, bastando que a instituição financeira interessada se cadastre para obter uma chave de acesso.

“O PIX pode ser usado de entre pessoas físicas, jurídicas, de pessoas físicas para jurídicas e vice-versa. Serve também no e-commerce, para pagamentos de boletos e inclusive recolhimento de taxas de governo. Com certeza é uma grande revolução”, diz Lima. 

Para ser usado, basta que o pagador e o recebedor tenham uma conta em banco, instituição de pagamento ou fintech. Essas transferências poderão ser feitas, segundo regulamentação do Banco Central, por meio de informações como número de celular, e-mail, CPF ou CNPJ, além dos QR Codes de dois tipos: estáticos e dinâmicos.

Os QR Codes estático possuem valores fixos para múltiplas transações, ou seja, um mesmo valor para um produto ou serviço específico pago por vários pagadores. Já os dinâmicos, funcionais principalmente para o pagamento de compras, é gerado a cada transação com informações diferentes.

Um ponto importante do sistema é a segurança: as transações seguem baseadas na RSFN, tendo como base tecnologias de proteção atuais, incluindo dupla autenticação DSL, assinaturas digitais e criptografia. Soma-se a isso a camada de segurança natural de cada banco e empresa, como login via biometria, senhas, tokens etc. 

“É mais seguro que o débito. Até hoje é muito difícil o meio eletrônico aceitar pagamentos via débito, em que a chance de fraude é grande”, explica Lima. “Toda transação [no PIX] tem uma chave autenticadora única de cada lado. São normas que tornam a solução bastante segura.”

Até junho, cerca de 140 instituições financeiras solicitaram chaves de acesso para participar do PIX, segundo dados do Banco Central.

Acelerando estratégias digitais

Apesar de inédito no Brasil e um grande avanço para o sistema bancário brasileiro, o Pix foi criado se valendo de experiências e sistemas semelhantes de outros países. Na Ásia, China e Coreia do Sul são dois países cuja digitalização dos pagamentos é avançada, inclusive com uso de QR codes. Na Europa, Suécia e Alemanha são exemplos.

Nos Estados Unidos, desde 2017 existe a RTP Newtwork (Real-Time Payments System), que permite pagamentos em tempo real e é usada por todas as instituições financeiras. Bastante similar ao PIX, serve de base para operações de fintechs e grandes instituições financeiras.

No Brasil, apesar do índice elevado de digitalização do sistema bancário – as instituições financeiras são as que mais investem em tecnologia no Brasil, 15,7% do faturamento líquido, segundo estudo da FGVcia (Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas) –, as regras para pagamento e transferência de valores ainda eram arcaicas.

“Agora temos uma abertura maior. O BC trouxe isso facilitando regras, abrindo o mercado, em parte graças às fintechs que vieram facilitar tudo. O PIX vai possibilitar um aumento ainda maior desse ecossistema”, opina Lima. “Temos falado com muitas empresas interessadas, e que provavelmente vão se integrar.”

As oportunidades de novos modelos de negócios são interessantes tanto para os já citados bancos e fintechs como também para qualquer empresa que operacionalize valores, pagamentos e contas, inclusive bancos menores e empresas de cartão. 

“No Brasil ainda há muita gente desbancarizada, que não usa cartão e trabalha com dinheiro em espécie. Entre as barreiras enfrentadas pelos pagamentos digitais estão a burocracia, as taxas e as dificuldades de recebimento”, pondera o executivo da Dextra. “O PIX deve resolver parte dos problemas e ampliar a adoção de meios digitais. É um movimento de digitalização do mercado financeiro, e uma oportunidade.”

Empresas de tecnologia que produzem e integram soluções podem ajudar as organizações, principalmente do setor financeiro, que ingressarão no PIX e verão surgir novas necessidades de negócio. O objetivo é ajudar os clientes na concretização de estratégias digitais aceleradas pelo PIX. 

“Temos capacidade de apoiar todas as possibilidades, seja na integração direta das APIs do PIX, na criação de APIs novas, chaves, autenticação etc. Temos expertise para apoiar toda instituição que queira usar o sistema”, explica o head da Dextra.

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