Aceleração Digital

Transformação Digital

Por: Everton Gago, janeiro 28, 2021

A pandemia deixou explícita a necessidade das grandes empresas se re-conectarem aos novos hábitos do consumidor e aos novos valores da sociedade. Isso já vinha acontecendo, mas a aceleração trazida pelo processo pandêmico deixou as empresas mais vulneráveis em suas estratégias e agora precisam se transformar rapidamente. Essa urgência acabou expondo a complexidade de lidar com novos Sistemas de Gestão, Modelos de Liderança e Arsenais Tecnológicos. Chamamos isso de Transformação Digital.

Isso deixa claro que a Transformação Digital não é apenas sobre tecnologia, a cultura também é importante. As grandes empresas precisam se mexer em uma velocidade que elas não estão acostumadas e isso passa por processos culturais. Para isso acontecer, é preciso garantir que o Sistema de Gestão chegue às pontas e que o Modelo de Liderança tire proveito da inteligência coletiva da empresa. Para isso acontecer, a alta liderança precisa esquecer o comando e controle e adotar uma liderança colaborativa e participativa. As melhores ideias são emergentes, mas é a alta gestão que propicia o ambiente colaborativo.

O racional do modelo de inovação disruptiva, de Christensen, não funciona como antes. Nesse modelo é comum pensar que a inovação se dá em três horizontes de tempos. O primeiro horizonte de tempo, dito H1, é o horizonte de curto prazo onde se concentra o core-business da empresa e todas as atividades para mantê-la funcionando. 70% do seu esforço deve ser destinado a proteger e ampliar os negócios atuais. O segundo horizonte de tempo, dito H2, é previsto um esforço para nutrir negócios emergentes e criar extensões para os negócios atuais. Já o terceiro horizonte de tempo, dito H3, diz respeito a futuros negócios. Trata-se de validar novas hipóteses e buscar a inovação disruptiva. Hoje é clara a ideia de que devemos trabalhar estes três horizontes em paralelo.

A grande mudança de paradigma é que algumas empresas estão fazendo H2 e H3 sem ter feito H1. É o caso do Uber, por exemplo. Uber é a maior empresa de transportes do mundo e não tem que lidar com o problema de gerenciar uma frota de veículos. A Tesla, por exemplo, não resolveu o problema de produzir 1 milhão de automóveis, como a Toyota ou a Ford, mas já resolveu a forma como ela se conecta aos novos valores de uma sociedade que quer ser menos poluente. Isso dá à empresa mais fôlego e traz capital (marketing value), permitindo resolver H1 depois.

Isso é uma realidade nova. Antes as empresas nasciam em H1, então ficavam grandes e começavam a investir em inovação. Uma consequência dessa nova realidade, é que as empresas mais tradicionais não têm o mesmo horizonte de tempo que elas tinham para fazer a inovação. É preciso ser mais ágil, e para isso você não pode ser mais hierárquico. Precisa da inteligência de mais gente.

Um fator importante no processo de transformação digital é o empoderamento dos times operacionais com liberdade para experimentar mais, tendo a segurança de poderem errar estando amparados para descartar e seguir adiante para novos experimentos, com o apoio da liderança organizacional. As mudanças necessárias para a transformação digital de uma grande empresa acontecem nos níveis operacionais dessas empresas, mas somente se devidamente semeado pela alta liderança, promovendo mudanças na forma de pensamento, que se refletirão em mudanças nas atitudes e ações e por fim se convertem na mudança cultural necessária:

Pirâmide de transformação cultural de John Shook, inspirada no modelo Schein

Outro fator importante para a transformação digital é a abordagem customer centric, comumente aplicada em produtos digitais. Os produtos digitais são responsáveis por uma grande produção de dados. Coletar e armazenar estes dados de forma que possam ser analisados posteriormente é uma boa estratégia, pois os dados refletem a experiência dos usuários e sua relação com as marcas. Estes dados podem dizer muito sobre as preferências e necessidades dos clientes, suas expectativas e gerar insights de como prover maior qualidade nos serviços e engajamento.

Concluindo

A velocidade das informações, das mudanças de mercado e necessidades dos clientes exigem transformações e mudanças profundas nas empresas para se manterem presentes e competitivas no mercado. Essas mudanças precisam acontecer em todas as camadas organizacionais, surgindo e sendo fomentada pela liderança que deve oferecer caminhos para que os times possam experimentar mais no seu dia a dia, criando novas ideias e formas diferentes de desempenhar suas atividades, lançando mão da tecnologia como um acelerador de inovações e não como o único caminho da inovação. Os horizontes de inovação devem estar cada vez mais misturados e sendo trabalhados no cotidiano de cada pessoa dentro da empresa, e a esse movimento poderemos chamar de Transformação Digital.

Autor: Everton Gago, CDO 

Co autor: Flávio H. Furlanetto, Squad Leader Data n’ Analytics 

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